O trabalho remoto e o modelo híbrido transformaram a rotina dos escritórios de advocacia. Se, por um lado, trouxeram mais flexibilidade e produtividade, por outro reduziram significativamente os encontros presenciais que, por muito tempo, fizeram parte da construção de relacionamentos profissionais. 

O café depois de uma reunião, o almoço com um cliente ou aquela conversa casual durante um evento deixaram de acontecer com a mesma frequência. Nesse novo cenário, manter uma rede de contatos ativa exige muito mais intenção do que antes. 

Para quem atua na advocacia empresarial, essa mudança merece atenção. Afinal, networking não é apenas conhecer pessoas: é construir relacionamentos que mantenham o escritório presente na memória dos decisores quando surgir uma demanda jurídica. 

Networking é uma estratégia de negócios 

Na advocacia empresarial, a contratação de um escritório dificilmente acontece logo após o primeiro contato. Muitas vezes, entre uma conversa inicial e a assinatura de um contrato podem se passar meses ou até anos. 

Durante esse período, permanecer presente de forma relevante faz toda a diferença. 

Por isso, o networking deve ser entendido como uma ferramenta estratégica de desenvolvimento de negócios. Além de fortalecer a reputação do advogado, ele amplia o acesso aos tomadores de decisão, cria oportunidades qualificadas e reduz a dependência das indicações espontâneas. 

Em outras palavras, em vez de esperar que alguém se lembre do seu escritório no momento certo, é possível construir uma presença constante ao longo da jornada de decisão do cliente. 

O problema não é fazer networking, mas fazê-lo sem estratégia 

É comum encontrar advogados que participam de diversos eventos, mantêm uma ampla rede de contatos e conversam frequentemente com colegas do mercado, mas ainda assim percebem que esses relacionamentos geram poucos negócios. 

Na maioria das vezes, isso não acontece por falta de esforço, mas pela ausência de um planejamento. 

Entre os erros mais comuns estão priorizar quantidade em vez de qualidade nas conexões, concentrar os relacionamentos apenas com outros advogados e aparecer somente quando existe interesse comercial. 

Networking baseado apenas em conveniência dificilmente produz relacionamentos sólidos. A construção de confiança depende de presença contínua e de interações que agreguem valor ao longo do tempo. 

O primeiro passo é saber com quem você quer se relacionar 

Antes de participar de eventos ou ampliar a rede no LinkedIn, é importante definir quem realmente faz sentido para sua estratégia de relacionamento. 

Esse público vai além do perfil geral de cliente do escritório. Cada sócio ou advogado pode ter objetivos específicos e, consequentemente, públicos prioritários diferentes. 

Uma forma prática de estabelecer esse foco é responder a três perguntas: 

  • Quais setores você deseja alcançar?  
  • Quais cargos concentram os decisores relacionados à sua área de atuação?  
  • Quais empresas fazem sentido dentro desse recorte?  

Essa definição evita dispersão de tempo, energia e investimento, permitindo que o networking seja direcionado para conexões realmente estratégicas. 

O LinkedIn deve aproximar pessoas, não apenas dar visibilidade 

No contexto do trabalho remoto, o LinkedIn se torna uma das principais ferramentas para manter relacionamentos ativos. 

Mas seu papel vai muito além da publicação de conteúdos. 

A plataforma deve funcionar como uma ponte entre as conexões presenciais e o relacionamento contínuo. Pessoas conhecidas em eventos, indicações recebidas ou contatos iniciados por meio da própria rede podem ser acompanhados de forma consistente. 

Isso significa acessar o LinkedIn com um objetivo claro: interagir com publicações de pessoas estratégicas, fazer comentários que demonstrem visão de mercado e iniciar conversas privadas sempre que houver contexto para isso. 

Uma mensagem compartilhando um artigo relevante, uma notícia relacionada a uma conversa anterior ou um conteúdo que possa contribuir para um desafio enfrentado pelo contato costuma gerar muito mais valor do que uma abordagem comercial direta. 

Networking precisa fazer parte da rotina 

Se antes muitos relacionamentos surgiam naturalmente nos encontros presenciais, hoje eles precisam ser cultivados de maneira intencional. 

Isso significa transformar o networking em um processo, e não em uma atividade eventual. 

Criar novas conexões qualificadas, manter pequenas conversas estratégicas, realizar follow-ups após reuniões e compartilhar conteúdos úteis são práticas que ajudam a manter relacionamentos vivos ao longo do tempo. 

Nem toda interação precisa resultar imediatamente em uma proposta comercial. Em muitos casos, o objetivo é simplesmente fortalecer o relacionamento e permanecer presente até que o momento certo aconteça. 

O conteúdo acelera relacionamentos 

Produzir conteúdo também faz parte dessa estratégia. 

Artigos, publicações e comentários ajudam a reforçar posicionamento, educar o mercado e ampliar a percepção de autoridade sobre os temas em que o escritório atua. 

Ao compartilhar conhecimento de forma recorrente, o advogado passa a ser lembrado como referência para determinados desafios enfrentados pelas empresas. 

Mas é importante fazer uma distinção: conteúdo não substitui networking. 

Ele funciona como um facilitador, criando oportunidades para iniciar conversas, retomar contatos e aprofundar relacionamentos já existentes. 

Quando associado a interações genuínas, o conteúdo fortalece a presença do profissional muito além dos encontros presenciais. 

Networking é um processo contínuo 

No ambiente remoto, esperar que oportunidades apareçam naturalmente deixou de ser uma estratégia suficiente. 

Construir relacionamentos exige disciplina, intenção e consistência. Significa reservar tempo na agenda para conversar com pessoas, acompanhar conexões relevantes e compartilhar conhecimento que realmente faça diferença para quem está do outro lado. 

Mais do que participar de eventos ou ampliar uma lista de contatos, networking é manter uma presença constante e relevante. 

No fim das contas, quem cultiva relacionamentos de forma estratégica depende menos da sorte e mais de um processo estruturado para permanecer no radar de clientes e potenciais clientes.

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